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DOIS SOLOS DE VERA MANTERO CHEGAM A MOÇAMBIQUE.

Moçambique através do KINANI, recebe pela primeira vez os trabalhos coreográficos da artista Portuguesa Vera Mantero. Estas peças serão apresentadas no auditório do Centro Cultural Franco Moçambicano, no dia 23, a partir das 20h.
O primeiro trabalho a ser apresentado será o solo “UMA MISTERIOSA COISA, DISSE O E.E. CUMMINGS*” que foi estreado em Janeiro de 1996, para homenegiar “Josephine Baker”, uma iniciativa da Culturgest em Lisboa. Na sua visão da vida e da obra da bailarina e cantora negra da primeira metade do século XX, Vera Mantero optou por uma abordagem que vai para além da figura de Josephine Baker. “É uma coisa que eu gostava de encontrar ou de criar, um amplo território em que a riqueza de espírito reinasse. (…) Este espírito de que falo não tem vontade nenhuma de anular o corpo, nem vergonha nenhuma do seu desejo e do seu sexo, o que este espírito de que falo tem vontade de anular é a boçalidade, a assustadora burrice, a profunda ignorância, a pobreza de horizontes, o materialismo, etc. etc. (infelizmente a lista tem ar de ser longa…). Escreve a artista.

“TALVEZ ELA PUDESSE DANÇAR PRIMEIRO E PENSAR DEPOIS” será um outro solo a ser apresentado na noite do dia 23. Um solo estreado em 1991, criado para o Festival Europália na Bélgica. Este solo tem um lugar cimeiro no percurso coreográfico de Vera Mantero. É um trabalho que já percorreu praticamente duas décadas e que, singularmente, continua vivo e a ser apresentado, e desta vez chega a Moçambique.

Foi através deste solo que a autora encontrou parte da sua identidade em termos de movimento, da forma de estar em cena, em termos de instrumentos e elementos que utiliza para criar e actuar. Nessa altura, Vera afirmava que: “a minha relação com a dança gira à volta das seguintes questões: o que é que a dança diz? O que é que eu posso dizer com a dança? O que é que eu estou a dizer quando estou a dançar?”. A capacidade e a incapacidade de a dança DIZER estavam no centro das preocupações criativas da autora à época (… não estarão ainda?)

Dois grandes solos que colocarão o público da dança contemporânea em Moçambique a reflectir sobre aspectos ligados com a identidade, criatividade, imaginação e outros factores que a artista busca representar em palco.
Vamos dançar Maputo!

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