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Da Itália, a 8ª edição do KINANI recebe “In Gierum…” de Roberto Castello

Chega pela primeira em Moçambique através do Festival KINANI, o trabalho coreográfico do Italiano Roberto Castello intitulado “ IN GIRUM IMUS NOCTE ET CONSUMIMUR IGNI”. Uma representação da infinita luta humana pela satisfação dos desejos.

Roberto Castello é provavelmente o coreógrafo mais ideologicamente envolvido entre os fundadores da dança contemporânea italiana. Nasceu em Turim em 1960, estudou dança moderna com Anna Sagna em Nova York. De 1980 a 1984 dançou no famoso Teatro Danza la Fenice, de Carolyn Carlson onde criou sua primeira coreografia. Em 1984, fundou a companhia de dança moderna Sosta Palmizi e criou alguns trabalhos colectivos com mais seis colegas. Em 1995, chega à Toscana e funda a sua companhia, chamada ALDES, para a qual escreve alguns trabalhos até então.

A sua proposta para a 8ª edição do KINANI remonta de um trabalho coreográfico iniciado em 2015 e inspira-se na realidade crítica da Europa contemporânea. Uma música robusta em preto e branco e hipnótica é o ambiente em que são contadas as micro-histórias nesta obra, configurando uma mistura entre cinema, dança e teatro.

A luz fria de um projector de vídeo articula espaços, tempos e geometria, e os trajes pretos tornam os personagens translúcidos, projetando-os em um passado atemporal habitado por uma humanidade dispersa que segue em frente, lutando com uma gestualidade brusca, emocional e desorganizada, além da exaustão, caindo lentamente em angústia.

Segundo explica o artista, “In girum imus nocte et consumimur igni” (“Andamos à noite queimados pelo fogo”), é um enigmático palíndromo latino de origem incerta, que já foi escolhido por Guy Debord como título do seu famoso filme de 1978, e que vai além de sua possível interpretação como metáfora de viver infinitamente consumido em desejos, tornar-se uma experiência catártica de sua exaustão cômica e grotesca.

As cenas da obra, ilustram durante uma hora, movimentos corporais que representam incansavelmente a comunidade em suas mais variadas expressões, destacando desde o início até o fim um estado de mal-estar, impecavelmente narrado pelos bailarinos através de um movimento oscilante paroxístico preciso e paradoxalmente tranquilizador. Um trabalho imperdível.
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Produção: ALDES
Apoio da MIBAC / Direção Geral de Spettacolo do vivo, REGIONE TOSCANA / Sistema Regional do Spettacolo
Foto: Paula Porto
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Red: Belarmino A. Lovane
#KINANIMOZ